“Os Testamentos”, Margaret Atwood

“Os Testamentos” é a sequela tão aguardada de “A História de Uma Serva”, um clássico do nosso tempo que mostra uma realidade que poderá estar não muito distante.

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A sequela do romance distópico “A História de uma Serva”, centra-se temporalmente quinze anos depois dos eventos do primeiro romance. O regime teocrático da República de Gileade mantém-se, embora vá mostrando sinais de estar a cair.

Esta grande autora cria três personagens femininas com uma voz poderosa. Os caminhos destas “três mulheres radicalmente diferentes cruzam-se com resultados potencialmente explosivos.” O leitor segue então a história através de três vozes femininas: uma é filha privilegiada de um Comandante, em Gileade; outra acompanha ativamente, no Canadá, os horrores praticados no país vizinho; e, por fim, a terceira voz pertence a uma mulher do regime de Gileade.

Esta mulher tem poder, pois conhece os segredos do regime. No entanto, usa-os como arma sem quaisquer escrúpulos e de forma cruel. Estes segredos irão aproximar estas três mulheres, levando-as a defenderem as suas convicções.

No final de cada capítulo, o leitor recebe pistas que vai juntando até descobrir quem são estas três mulheres. O leitor sente, portanto, que faz parte da história e que tem um papel importante a desempenhar.

Atwood dá então continuação a este mundo distópico e aparentemente surreal, refletindo, mais uma vez, sobre o tema da crise, nomeadamente no papel das mulheres na sociedade em que se inserem, na política e na cultura. Atwood aborda, igualmente, a crise emocional que qualquer indivíduo poderá ver-se obrigado a enfrentar, quando colocado perante situações extremas de desconforto, dúvida e medo. E assim percebemos que este mundo fictício é um espelho de um futuro que não está longe.

Por Catarina Duarte Alves

Licenciada em Línguas, Literaturas e Culturas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Catarina Alves é uma apaixonada por livros e, atualmente, trabalha como livreira numa cadeia nacional.