“A Alma Perdida” de Olga Tokarczuk

“Alma Perdida” é uma sugestão de leitura recomendada para miúdos e graúdos de Olga Tokarczuk, vencedora do Prémio Nobel da Literatura.

Livro infantil da vencedora do Prémio Nobel da Literatura em 2019, Olga Tokarczuk, e ilustrado por Joanna Concejo.

“Se alguém pudesse olhar para nós lá do alto, veria que o mundo está repleto de pessoas que correm apressadas, transpiradas e muito cansadas, e que atrás delas correm, atrasadas, as suas almas perdidas…

Para a leitura desta história não chega ler e interpretar cada palavra. É igualmente necessário estudar cada ilustração de modo a compreender a história e as mensagens que a autora pretende passar no seu todo.

Ao longo da leitura, percebemos que esta não é uma história apenas para crianças. Na verdade, as crianças poderão maravilhar-se com as ilustrações belíssimas de Joanna Concejo, mas nada mais. A história destina-se aos adultos que acompanham as crianças.

Embora com muito pouco texto para ser lido, Olga Tokarczuk cria uma personagem que, de repende, deixa de saber quem é e de saber onde está. De modo a tentar encontrar-se a si próprio, Jan decide permanecer em silêncio quando percebe que perdeu a sua identidade. Uma vez que isso não o ajuda, recorre a uma médica que lhe diz ter perdido a sua alma. Ao que parece, as pessoas vivem mais rápido do que as suas almas as conseguem acompanhar.

No final, depois de muita espera, a alma de Jan encontra-o. Se até aqui as ilustrações adquirem tons de cinza, à medida que a alma se aproxima do seu dono tudo vai ganahando cor. Em especial, as árvores e plantas que são, na verdade, uma metáfora para a vida.

O leitor termina o livro com um sorriso. Porém, encontra uma janela aberta para reflectir sobre o seu estilo de vida e que, afinal, pode ter perdido a sua alma por andar sempre com pressa. E da mesma forma que cada um de nós pode perder a alma, também poderemos deixar muitas outras coisas para trás. Coisas essas importantes e que, no fundo, fazem de nós quem somos. Porém, vamos sempre a tempo de reencontrar o que outrora ficou perdido de nós.