“As Moscas de Outono” de Irène Némirovsky

Originalmente publicado em 1931, Irène Némirovsky tinha 28 anos quando foi considerada “a sucessora de Dostoiévski” pelo New York Times com “As Moscas de Outono”. Desde cedo que a autora mostrara uma grande capacidade para refletir sobre a moralidade e as diferentes condições da vida humana.

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Através da história de Tatiana Ivanovna, ficamos a conhecer a família Karine e a decadência que a envolve. Acompanhamos os Karine desde a época de abundância e riqueza até aos dias vividos a custo num apartamento em Paris, após se verem obrigados a fugir à Revolução Russa.

Tatiana, a servente, fica na Rússia para cumprir o seu dever: tomar conta da propriedade da família e dos seus bens. Porém, o dever acaba por lhe impor que atravesse o país pelo próprio pé para se juntar aos seus amos.

Contudo, e contrariamente à família Karine, Tatiana Ivanovna é determinada em não querer mudar e não deixa que se esqueça do passado.

Em apenas 88 páginas, a autora retrata as dificuldades que a nobreza russa foi obrigada a ultrapassar, exilando-se devido à revolução. Assim, muito é dito em poucas palavras e o leitor consegue perceber as subtis notas biográficas deixadas pela autora, através da evocação da sua juventude.

Não retiramos apenas desta obra pequenas lições sobre a história russa. Aprendemos também que cada ser humano tem a capacidade de se adaptar a cada situação de uma forma extraordinária.

Por Catarina Duarte Alves

Licenciada em Línguas, Literaturas e Culturas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Catarina Alves é uma apaixonada por livros e, atualmente, trabalha como livreira numa cadeia nacional.