Faz um passeio pela história da caligrafia até à máquina de escrever

A maquina de escrever substituiu a caligrafia no papel e, à época, foram as mulheres que mais beneficiaram.

Escrita mecânica e impressão gráfica

Inicialmente, a escrita era feita através da prensa gráfica. Os textos eram montados manualmente tipo a tipo, ou seja, letra a letra, numa moldura.

Este trabalho era desenvolvido em gráficas, através de prensas manuais, sendo mais tarde aplicados motores elétricos nas máquinas. Estes motores conseguiram tornar este trabalho mais rápido e menos cansativo para quem manuseia as máquinas.

A escrita mecânica através da imprensa foi colocada a uso por Gutenberg, em 1450.

A primeira máquina de escrever

Partiu-se da ideia que tal máquina seria como um piano, pois este instrumento musical tem para cada tecla uma só nota. Desta forma, a máquina teria um teclado semelhante: cada tecla deveria imprimir uma letra no papel ao ser premida.

Os inventores que partiram deste princípio básico do piano para as máquinas de escrever foram: Wheatstone (1851), Francis (1857) e Rivizza (1857). O maior problema para os inventores foi o desenvolvimento de mecanismos para colocar o papel de forma a que este permanecesse estável durante o processo da escrita.

Na década de 1860, as máquinas apresentavam o teclado semelhante ao piano, estando as letras dispostas em barras, formando um círculo. As letras eram impressas no papel uma a uma. O problema da fixação do papel foi resolvido por Sholes, em 1875, quando conclui a sua máquina de escrever que dispunha de um rolo para manter o papel fixo.

Desenvolvimento da máquina

Foi em 1866 que Christopher Sholes e Sammuel Soule desenvolvem uma máquina que enumera páginas de forma sequencial. Mais tarde, Carlos Gildden tem a ideia de construir uma máquina que escrevesse não só letras, mas também palavras. Porém, esta ideia nunca chega a ser concretizada.

O primeiro modelo fabricado

O primeiro modelo foi fabricado em 1867, sendo revelado um ano mais tarde. Enquanto a máquina era aperfeiçoada, os seus inventores escreviam cartas comerciais para testar a escrita e o funcionamento em geral. Com estas cartas pretendiam conseguir ajuda financeira para darem continuidade ao novo invento. Uma destas cartas chega até James Densmore que, como antigo impressor, interessa-se pelo projeto e decide associar-se.

Sammuel Soule retira-se do projeto em 1868, ficando apenas Sholes e Densmor. Durante alguns anos, consultam mecânicos para testarem a utilização da máquina. Consultam, portanto, Thomas Edison, do qual recebem ajuda para aperfeiçoarem a máquina.

Nesta altura, enviam a máquina para cartórios, telegrafistas e postos de correios, de modo a que a máquina seja avaliada. Pela primeira vez, a invenção fica exposta ao público e Sholes batiza o seu invento tal como o conhecemos hoje: a máquina de escrever (“typewriter” em inglês).

A industrialização

Por volta de 1873, a máquina está bem avançada: está pronto um modelo tido como apto para ser industrializado. Assim, James Densmore entra em contacto com Remington & Sons e apresenta  todos os facto relativos à invenção, declarando que possui um modelo para demonstração. A máquina é então levada até Nova Iorque e os Remington compram a invenção no dia 1 de março de 1873 e é assinado um contrato de simples fabricação.

Entretanto, durante este processo, Sholes vende a sua parte a Densmore por 12 mil dólares. Por sua vez, Desmore vende a sua parte a Remington & Sons, aceitando um contrao de “royalty”. Por via deste contrato, Densmore ganha mais que Sholes.

O engenheiro mecânico William K. Jenne assume o projeto e neste mesmo ano dá-se início à fabricação da máquina de escrever.

O lançamento da primeira maquina de escrever

No ano de 1874, é lançada a máquina de escrever de forma comercial. Embora o nome com que batizaram o invento tenha sido Typewriter, o modelo ficou essencialmente conhecido por Remington 1.

O aspeto da primeira máquina

O primeiro modelo assemelha-se a uma máquina de costura. Sabe, portanto, que o fabrico e o aperfeiçoamento da máquina de escrever ficou ao encargo de uma fábrica de máquinas de costura. As parecenças são notórias essencialmente na mesa em que se apoia cada máquina.

Contudo, as primeiras máquinas de escrever eram ricamente decoradas com fios de ouro, flores pintadas à mão e incrustações de madrepérola, tal como as máquinas de costura.

A escrita

As letras são, portanto, impressas no papel que estava apoiado num rolo. Tal fazia com que o operador da máquina não conseguisse ver o que escrevia, a menos que levantasse o conjunto do rolo ou esperasse até ter escrito várias linhas de texto.

A disposição das teclas das letras, por sua vez, vieram a sofrer diversas alterações. Densmore e Sholes foram os responsáveis pela disposição do teclado e, embora ambos os inventores fossem impressores e editores, esta disposição seguiu padrões utilizados por impressores. As letras foram colocadas de forma a não colidirem durante o processo da escrita.

Assim, o teclado utilizado nas máquinas de escrever tem o nome de “QWERTY”, que provém das primeiras seis letras da primeira linha de letras do teclado. Curiosamente, foi este o teclado utilizado nos computadores.

As vendas

Inicialmente, as vendas foram um fracasso: além de a máquina de escrever ser muito cara (cerca de 125 dólares), não foi bem aceite por aqueles que continuavam a preferir a caligrafia, isto é, escrever diretamente no papel com tinta e caneta. Os fabricantes de material para a escrita manual viram as máquinas de escrever como uma ameaça, tal como os escreventes que perderiam o emprego.

No entanto, a Remington 2 foi lançada em 1878 e com este novo modelo as vendas aumentaram. Apenas em 1881 foram vendidas 1200 máquinas; em 1882, 2300; em 1885, 5000; e em 1890 foram comercializadas cerca de 20 000. Os pedidos chegavam a rondar os 100 por dia. A Remington 2 era a primeira máquina de escrever do Mundo a utilizar o mecanismo de reversão e a escrever letras maiúsculas e minúsculas.

A máquina de escrever estava, agora, presente em todas as repartições públicas e escritórios , chegando ao uso doméstico.

O mercado de trabalho

De 1890 a 1920, o mercado de trabalho que envolvia a fabricação da máquina de escrever aumentou mais de 50% na mão-de-obra, dentro e fora das fábricas. Existiam cada vez mais datilógrafos e oficinas especializadas apenas na manutenção das máquinas.

Neste novo mercado de trabalho foi a mulher quem mais se viu beneficiada. A sua presença passou, assim, a ser constante nos escritórios. O cargo era de tal importância que estas mulheres passam a ser responsáveis por todas as comunicações através de cartas.

No fundo, foi a máquina de escrever que trouxe a mulher para executar funções no mercado de trabalho que até então eram executadas apenas por homens.

Curiosidades

Através das máquinas de escrever elétricas é possível fazer uma ligação ao ecrã de um computador ou iPad, de forma a que a máquina sirva de teclado.

A última fábrica que produziu máquinas de escrever não elétricas, a Godrej and Boyce, situada em Bombaim, Índia, encerrou em 2011, depois de ter vendido menos de 1.000 máquinas no último ano.

Neste momento, tanto as máquinas de escrever manuais como as elétricas tornaram-se peças de museu.