Eu, Catarina: Da leitura por necessidade aos 400 livros que colecionei

Um regresso ao passado, escrito na primeira pessoa, sobre o suporte que a leitura pode ser na nossa vida

Aos quatro anos de idade, comecei a gostar de livros. Sempre tive muitos livros em casa dos meus pais e dos meus avós maternos, por isso, não foi difícil familiarizar-me com estes objectos, nem aprender como cuidar deles.

O primeiro livro que li por escolha própria foi Uma Aventura na Ilha Deserta, tinha eu entre os sete e os oito anos. Com treze anos, a minha mãe deu-me para ler Os Filhos da Droga. Este último pertencera à minha avó, que o lera quando era um pouco mais velha e que o passou à minha mãe quando ela tinha treze anos. Considero que é uma tradição de família um pouco invulgar, porém, espero um dia ter a oportunidade de entregar este mesmo livro aos meus filhos quando tiverem a mesma idade.

A história que é contada no livro impressionou-me bastante. Contudo, foi um “abrir de olhos” para o mundo em que ainda hoje vivo e tive a sorte de ter uma família aberta a todos os assuntos e que nunca hesitou em responder às minhas questões sobre o livro.

Durante a adolescência, dediquei-me à leitura de forma a ter um refúgio dos problemas familiares que enfrentava. Comecei a ler através da biblioteca da escola onde estudava, mas senti que não chegava: necessitava de ter os meus próprios livros. Assim, juntava mesadas para os comprar, e nos meus aniversários e no Natal, quando me perguntavam o que gostaria de receber, a resposta era sempre a mesma: livros e mais livros!

O género literário que me despertou a atenção foi o Fantástico. As histórias de vampiros, bruxas, lobisomens, demónios e anjos condenados. Desenvolvi, do mesmo modo, o interesse por Contos de Fadas e as transformações que estes sofreram ao longo das décadas, começando a fazer pesquisas por mim própria. Com todas estas leituras no mundo do fantástico e do maravilhoso – contando com os meus livros favoritos da saga Harry Potter e da trilogia Senhor dos Anéis –, descobri que também gostava de escrever histórias deste género. Assim, a leitura e a escrita passam a ter um papel importante na minha vida.

Todos os anos, leio entre vinte e cinco a cinquenta livros. Como já referi, sempre me interessei pelo género do Fantástico, mas também pelos clássicos da literatura portuguesa e inglesa. Entre eles, conto com os seguintes: Shakespeare e Luís de Camões, Jane Austen e as irmãs Brontë, Eça de Queirós e Camilo Castelo Branco, Charles Dickens e Saramago. Alguns autores russos também me fascinam, nomeadamente Tolstoi, Dostoievski e Kafka.

Interesso-me por alguns autores de romances contemporâneos, como Rosamunde Pilcher, Tracy Chevalier e Hélia Correia.

Por volta dos dezasseis anos, desenvolvi o gosto por Literatura Gótica e o Thriller. Comecei por ler os autores clássicos como Bram Stoker, Mary Shelley, Oscar Wilde, Horance Walpole, Henry James, Edgar Allan Poe, entre outros. Atualmente, leio Thrillers de Shirley Jackson e S. K. Tremayne, sendo ambos autores do século XX e XXI. Para além das leituras destes géneros literários, tento ler e pesquisar o máximo que conseguir sobre eles. Inclusive, vejo filmes e séries que remontem para o tópico ou que se inspirem nas obras dos autores acima referidos.

De momento, tenho à volta de quatrocentos livros, tendo lido trezentos e vinte e três desde 2015. Muitos destes livros são antologias ou reúnem vários contos e romances. Tenho livros de colecção como: Contos Completos dos Irmãos Grimm, Gothic and Fantasy: Science Fiction and Horror e Gothic and Fantasy: Crime and Mystery.

Apesar de ler e escrever todos os dias, gostaria de ter mais tempo para me dedicar às pesquisas que faço. No entanto, o que mais gosto de fazer é discutir literatura com o meu avô materno, organizar os meus livros e perder-me durante horas numa livraria.

Para mim, os livros são mais do que meros objectos. Eles ajudaram-me a ultrapassar uma fase difícil na minha vida; foram o meu refúgio e os meus únicos amigos. Com eles, posso viajar para universos maravilhosos, conhecer vivências de outras pessoas, conhecer lugares onde nunca estive. Posso, igualmente, desenvolver a minha imaginação e inspirar-me para as minhas próprias histórias.