Eu, Mariana: ser sexual vs ser sexualizado

De acordo com Farida D., há uma grande diferença entre ser-se sexual ou ser-se sexualizado. Numa das suas publicações de Instagram, a autora diferencia, de forma muito sucinta, esta diferença que gostaria de partilhar convosco.

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Créditos: Pixabay

Ser-se sexual, é quando alguém opta por expressar a sua sexualidade, o que poderá ser notório através do vestuário ou do comportamento que adota. Pelo contrário, ser-se sexualizado consiste na visão que temos do outro. Ou seja, independentemente de como uma pessoa se expressa, é sempre olhada de um modo sexual; independentemente de como essa pessoa se exprime, é sempre valorizada a nível sexual.

Agora que definimos uma diferença, é também importante perceber a razão pela qual esta distinção é importante. Tal como a autora refere, em sociedades em que predomina o patriarcado, ainda existe a ideia de que os homens são os donos das mulheres e, consequentemente, da sua sexualidade. Nestas sociedades, “as mulheres aprendem desde cedo que a única forma aceitável de serem sexuais é quando são sexualizadas pelos homens.” E assim, uma mulher ser sexualizada torna-se demasiado aceitável.

Para nós mulheres, sermos sexuais dá-nos uma sensação de poder. Não um poder que exercemos sobre outra pessoa, mas sim sobre nós próprias. Sentimo-nos então à vontade para nos expressarmos de forma segura e livre de preconceito; sentimos que podemos ser nós próprias sem termos vergonha do nosso corpo. Neste sentido, penso que o mais importante é conseguirmos expressarmo-nos desta forma com alguém que nos apoie, respeite e ame. E o mesmo se aplica aos homens.

Os homens também são sexualizados e muitos sentem receio de se exprimir sexualmente, pois também eles são julgados. Afinal, somos tomos humanos, logo, temos sentimentos e temos o direito de mostrarmos quem somos.

Ser-se sexualizado é prejudicial; magoa. Cria-se uma tendência para cabermos em padrões de beleza que são criados por outros e não por nós próprios. Como acontece em vários casos, surgem depois problemas de saúde física e mental, porque alguém nos reduz a meros objetos sexuais. Em casos extremos, penso que com a sexualização se criam desculpas para tentar tornar legítima uma violação, por exemplo, pois “estávamos a pedi-las”.

Com isto, quero apenas fazer um pequeno apelo:

Respeitem-se. Amem-se. Ninguém merece ser visto como um mero objeto sexual, não importa se é mulher ou homem. Todos temos o direito de nos exprimirmos e de estarmos confortáveis com o nosso próprio corpo.