Morreu Pedro Tamen, poeta e tradutor

O poeta Pedro Tamen faleceu esta quinta-feira, dia 29 de julho, aos 86 anos, em Setúbal.

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Pedro Mário Alles Tamen nasceu a 1 de dezembro de 1934, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, foi diretor da Editora Moraes, administrador da Fundação Caloustre Gulbenkian (entre 1975 e 2000) e lecionou no ensino secundário. Ao longo do seu percurso profissional, Tamen também codirigiu as revistas “Anteu” e “Flama”, fez crítica literária no semanário Expresso e foi presidente do PEN Clube Português, entre 1987 e 1990. Faleceu a 29 de julho de 2021, em Setúbal.

A tradução

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Na área da tradução, traduziu essencialmente autores franceses: Marcel Proust, André Breton, Jean-Paul Sartre, Michel Foucault, Georges Bataille, Georges Pérec e Gustave Flaubert. Para além destes autores de renome, traduziu vários outros: Camilo José Cela, Gabriel García Márquez, Mario Vargas Llosa, Luis Sepúlveda e ainda Reinaldo Arenas.

Para Tamen, a tradução foi como um vício, tal como afirma numa entrevista à RTP, em 2003, sendo no caso de Marcel Proust mais uma obsessão. O poeta e tradutor português fez a tradução integral de “Em Busca do Tempo Perdido”.

Em 1990, ganhou o Grande Prémio da Tradução.

A Poesia

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No que respeita à poesia, António Ramos Rosa afirma que a poesia de Tamen “é um incessante exercício de liberdade que corre o risco de se perder na insignificação total (…)” (ROSA, António Ramos – “Incisões Oblíquas”, p. 91). Fazem parte da sua obra poética:

“Poema para Todos os Dias” (Ed. Do Autor, Lisboa, 1956), reunida em “Retábulo das Matérias” (Gótica, Lisboa, 2001), agora com nova edição da Imprensa Nacional Casa da Moeda (2018);

Escrita Redita” (Editorial Presença/Casa Fernando Pessoa, 1999);

Analogia e Dedos” (Edições Asa, 2006);

O Livro do Sapateiro” (Dom Quixote, 2010);

Um Teatro às Escuras” (Dom Quixote, 2011);

Rua de Nenhures” (Dom Quixote, 2013).

Com a sua poesia, Pedro Tamen foi merecedor de várias distinções, entre as quais: Prémio D. Dinis (1981), Prémio da Crítica (1991), Grande Prémio Inapa de Poesia (1991), Prémio Nicola (1997), Prémio da Imprensa e Prémio PEN Clube (2000).

Abaixo, deixamos um dos poemas do poeta, publicados no Blogue Somos Livros, da Bertrand Livreiros:

“Palavras que disseste e já não dizes,
palavras como um sol que me queimava,
olhos loucos de um vento que soprava
em olhos que eram meus, e mais felizes.

Palavras que disseste e que diziam
segredos que eram lentas madrugadas,
promessas imperfeitas, murmuradas
enquanto os nossos beijos permitiam.

Palavras que dizias, sem sentido,
sem as quereres, mas só porque eram elas
que traziam a calma das estrelas
à noite que assomava ao meu ouvido…

Palavras que não dizes, nem são tuas,
que morreram, que em ti já não existem
– que são minhas, só minhas, pois persistem
na memória que arrasto pelas ruas.”

Pedro Tamen, in “Retábulo das matérias – Poesia 1956-1991”

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