O significado do Quadro e Espelho na literatura irlandesa

Através da literatura irlandesa, desvendamos a simbologia do Quadro e do Espelho.

Para discutirmos este tema, escolhemos analisar três obras literárias de autores irlandeses por ordem cronológica de publicação: The Picture of Dorian Gray de Oscar Wilde, publicado em 1908 – data da primeira edição ilustrada publicada por Charles Carrington em Paris; o conto “The Dead” de James Joyce, escrito em 1904 e publicado na coletânea intitulada de Dubliners publicada em 1914; e, por fim, Hidden Symptoms de Deirdre Madden, publicado em 1986.

Quadro na Literatura Irlandesa

Uma das obras literárias, na qual o tema do quadro se expressa claramente, é The Picture of Dorian Gray de Oscar Wilde. Nesta obra decadentista, embora tenha obtido uma receção polémica e tenha sido sujeita à censura, o autor defende e justifica a sua obra dizendo que tem um forte carácter moral – numa resposta por carta ao editor da revista em que fora publicada a obra pela primeira vez (Lippincott’s Magazine, em 1890).

Todo o tema do quadro neste único romance de Wilde desenvolve-se a partir da revisitação do Mito Fáustico: a venda da alma ao diabo em troca de algo. Neste sentido, a personagem principal, Dorian Gray, ao ver o seu retrato pintado pelo amigo Basil deseja que ele próprio permaneça belo e jovem, enquanto o retrato adquire a característica de envelhecer na sua vez. Dorian exprime este desejo num murmúrio:

‘How sad it is!’ murmured Dorian Gray, with his eyes still fixed upon his own portrait. ‘How sad it is! I shall grow old, and horrible, and dreadful. But this picture will remain always young. It will never be older than this particular day of June… If it were only the other way! If it were I who was to be always young, and the picture that was to grow old! For that – for that – I would give everything! Yes, there is nothing in the whole world I would not give! I would give my soul for that!’

Dorian Gray inveja a arte e tudo o que ela implica: eternidade e beleza; em contraposição, a vida tem uma beleza que se perde e envelhece. Verifica-se, então, a primeira mudança no quadro:

Finally he came back, went over to the picture, and examined it. In the dim arrested light that struggled through the cream-coloured silk blinds, the face appeared to him to be a little changed. The expression looked different. One would have said that there was a touch of cruelty in the mouth. It was certainly strange.

Aqui, é a arte que passa a representar a realidade e não o contrário, como é o objetivo de grande parte da arte – em especial na corrente realista. Assim, o retrato de Dorian Gray passa a representar a sua alma e a sua consciência: todos os seus actos menos bons e genuínos serão assinalados no quadro em questão.

Através de uma leve transformação na boca pintada na tela, Dorian apercebe-se de que o seu desejo se realizou, embora o retrato não esteja a envelhecer. Em vez disso, o quadro irá deixar transparecer a sua verdadeira essência, começando com a representação da crueldade de Dorian. O leitor entende, assim, que o quadro serve um propósito moral quando é transformado numa marca da culpa e da consciência da personagem principal, e deixa de ser apenas um objeto de arte e de beleza.

No capítulo 11, a certo momento, Dorian vagueia pela sua galeria cujas paredes estão decoradas com retratos dos seus antepassados: «(…) those whose blood flowed in his veins». Aqui, Dorian dá por si a refletir se é ele livre de determinar os seus atos e se é ele o responsável pelo seu comportamento; ou se as suas ações são ditadas pela genética.

De acordo com Greg Buzwell, num artigo publicado na plataforma on-line da British Library, Oscar Wilde descreve «a representation of how fin-de-siècle literature explored the darkest recesses of Victorian society and the often disturbing private desires that lurked behind acceptable public faces». Poderá, assim, afirmar-se que as dúvidas de Dorian sobre o livre-arbítrio são colocadas como forma de fugir à sua própria consciência e à sociedade em que vive.

Quando Dorian verifica que o seu retrato atingiu o limite da degradação – limite esse representado por uma expressão de hipocrisia e vaidade –, uma tomada de consciência apodera-se dele e decide destruir o quadro, tal como matara o seu criador, o pintor de nome Basil. Esta tentativa de libertação daquilo que constantemente assombrava a sua consciência em relação a todos os atos pouco dignos leva à sua própria aniquilação. Através de um grito horrendo, que se faz ouvir por toda a casa quando trespassa o retrato com uma faca, Dorian vive a sua última e única sensação que lhe faltava sentir: a morte.

Após ter vivido todos estes anos de acordo com a Teoria Hedonista e o que ela implica – valorização do prazer das sensações –, esta personagem encontra o seu fim ao viver a dor da sua culpa que, de tal modo tremenda, o leva à morte. O seu corpo, em vez de belo e jovem, está velho e deformado, sendo que o quadro voltara à sua forma original:

As it had killed the painter, so it would kill the painter’s work, and all that that meant. It would kill the past, and when that was dead he would be free. It would kill this monstrous soul-life, and without its hideous warnings, he would be at peace. He seized the thing, and stabbed the picture with it.

There was a cry heard, and a crash. The cry was so horrible in its agony that the frightened servants woke and crept out of their rooms. (…)

When they entered, they found hanging upon the wall a splendid portrait of their master as they had last seen him, in all the wonder of his exquisite youth and beauty. Lying on the floor was a dead man, in evening dress, with a knife in his heart. He was withered, wrinkled and loathsome of visage. It was not till they had examined the rings that they recognized who it was.»

 

No que respeita a «The Dead» de James Joyce, o tema do quadro surge de um modo mais positivo. Este conto poderá dividir-se em três momentos, segundo o artigo «“The Inwardness of James Joyce’s Story, The Dead”»: o primeiro centra-se na chegada de Gabriel Conroy e a sua esposa Gretta à festa das tias Kate e Julia, e no discurso de Gabriel pois ele é o patriarca da família, logo, cabe-lhe a ele esta função na Festa da Epifania. No segundo momento, o leitor encontra as personagens à saída da festa, sendo aqui que se centrará a análise da temática da representação do quadro. No terceiro e último momento do conto, Gabriel e Gretta encontram-se no hotel, onde será feita uma revelação e cuja temática do espelho está presente.

Ao que poderemos definir como o segundo momento do conto, este encontra-se numa fase de transição. Isto é, a personagem Gabriel acaba de ultrapassar constrangimentos com duas personagens femininas, Lily e Molly, no decorrer da festa. Contudo, Gabriel recorda situações de intimidade que vivera com a sua esposa, sendo invadido por um desejo avassalador de ter relações sexuais com Gretta. Esta é a circunstância que antecede o constrangimento que viverá na terceira parte.

Enquanto os convidados deixam a festa e se despedem junto da entrada, Gabriel observa a sua esposa Gretta no topo da escadaria. Ouve-se uma melodia de piano à qual se junta uma voz masculina. Uma música irlandesa está a ser interpretada – «The Lass of Aughrim» – e Gabriel observa atentamente a sua mulher a escutar a música. Nesse instante, a personagem masculina, que não participa na ação, sente um desejo de pintar Gretta num quadro ao qual chamaria «Distant Music»: 

Gabriel had not gone to the door with the others. He was in a dark part of the hall gazing up the staircase. A woman was standing near the top of the first flight, in the shadow also. (…) It was his wife. She was leaning on the banisters, listening to something. (…) There was grace and mystery in her attitude as if she were a symbol of something.  He asked himself what is a woman standing on the stairs in the shadow, listening to distant music, a symbol of. If he were a painter he would paint her in that attitude. (…) Distant Music he would call the picture if he were a painter.

Joyce coloca Gabriel com o olhar do artista que observa a sua musa para a pintar. De acordo com esta vertente do texto, o leitor entende que Gabriel é atraído pelo mistério: tudo aquilo que não conhece e o que é imprevisto despertam nele um sentimento de sedução e desconcerto.

Ao contrário do que acontece em The Picture of Dorian Gray, a personagem que dá título à obra pretende permanecer bela e jovem e, ao invés, o seu retrato representará a sua decadência física e moral; em «The Dead», Gabriel tem o desejo de congelar a imagem de Gretta. Uma vez que a pintura existe no espaço, esta personagem masculina pretende que aquilo que observa em Gretta – uma existência temporal – também possa ser vivida no espaço físico e concreto através da arte.

Na obra de Deirdre Madden, Hidden Symptoms, a personagem Robert evoca o quadro O Casal Arnolfini (1434) de Jan van Eyk. Neste texto, o quadro é a forma que Robert utiliza para se familiarizar com o espaço onde se encontra — a sala-de-estar da casa de Theresa:

It reminded him of a painting – what was it called? – “The Arnolfini Marriage”, was that it? Robert could see himself in the mirror as if he were the artist who had created all before him, both the room and the room reflected. He remembered from the painting trivial domestic details – a little dog; some oranges, a pair of slippers carelessly tossed aside (…).

Uma vez que Robert se sente desconfortável perto de Theresa e incomodado pelas crenças e modo de vida da mesma, há uma necessidade por parte de Robert de relacionar aquele espaço a algo que conhece e o deixa confortável: a arte. Assim, através de certos pormenores, a personagem masculina lembra-se do quadro O Casal Arnolfini e consegue abstrair-se da situação desconfortável em que se encontra com Theresa, tal como consegue dispersar-se do assunto doloroso que o levou a visitá-la: a descoberta da morte de Francis, irmão gémeo de Theresa.

Espelho em Wilde, Joyce e Madden

Na obra em análise de Oscar Wilde, a temática do espelho é tratada em conjunto com a do quadro:

(…) he himself would creep upstairs to the locked room, open the door with the key that never left him now, and stand, with a mirror, in front of the portrait that Basil Hallward had painted of him, looking now at the evil and ageing face on the canvas, and now at the fair young face that laughed back at him from the polished glass. The every sharpness of the contrast used to quicken his sense of pleasure. He grew more and more enamoured of his own beauty, more and more interested in the corruption of his own soul. He would examine with minute care, and sometimes with a monstrous and terrible delight, the hideous lines that seared the wrinkling forehead, or crawled around the heavy sensual mouth, wondering sometimes which were the more horrible, the signs of sin or the signs of age.

Dorian está, portanto, perante o retrato e um espelho, comparando a degradação moral que se reflecte no primeiro com a inocência e beleza reflectidos no segundo. Este contraste, embora seja evidente a corrupção crescente que as suas acções provocam na sua alma, dá-lhe um certo prazer.

Mais uma vez, Dorian Gray quebra um limite ao ter feito este pacto, como fora referido anteriormente: manter-se belo e jovem, enquanto que o retrato revela o peso da sua culpa e consciência. De acordo com o artigo «The Picture of Dorian Gray: art, ethics and the artist» de Buzwell, Dorian quebra o limite entre a arte e a vida, a estética e a ética.

Segundo, Bernardo Augusto Willrich, o tema do espelho está presente na obra num sentido mais lato. Sentido este que se verifica no Prefácio da obra de Wilde, quando o autor refere que é o «(…) spectator, and not life, that art really mirrors.» (1908: 3). Assim, qualquer obra de arte, em especial a literatura, é um espelho da vida e do leitor ou espectador.

Em Dubliners, James Joyce pretende utilizar os seus contos como forma de reflectir a paralisia da cidade de Dublin e dos seus cidadãos. Isto é, espelhar os problemas sociais, económicos, político, religiosos, entre outros, que caracterizam Dublin. Neste sentido, ao invés de esconder essas questões através do embelezamento da cidade na representação artística como fazem os seus contemporâneos, Joyce pretende alertar os leitores para os problemas que a sua sociedade enfrenta através deste movimento literário modernista e realista.

No terceiro momento de «The Dead», encontra-se a temática do espelho. No hotel onde irão pernoitar Gabriel e Gretta, esta última revela ao marido o que a tem vindo a incomodar desde que ouvira a música «The Lass of Aughrim», cantada por Mr. D’Arcy em casa das tias de Gabriel. Embora a personagem masculina esteja convencida de que Gretta deseja o mesmo que ele, o afastamento repentino de Gretta e a sua revelação mostram o oposto.

Gretta revela então ao marido que acredita que o seu amigo de infância, Michael Furey, morrera de amor por ela poucas semanas depois de ela ter chegado a Dublin. Durante o seu relato, Gabriel tenta não mostrar o incómodo e a inveja que sente em relação a Michael Furey. Ambas as personagens aproximam-se da janela do quarto de hotel em tentativas de se manterem calmas e numa forma de se manterem conetadas com a realidade e o momento exacto que estão a viver:

He was in such a fever of rage and desire that he did not hear her come from the window. She stood before him for an instant, looking at him strangely.

Assim, a janela é o elemento que leva as personagens a não se perderem nos seus pensamentos e em memórias que poderão ser-lhes tão felizes como dolorosas. Contudo, a janela poderá ser analisada como o elemento que leva a que a personagem Gabriel saia dos limites individuais e se expanda para uma realidade mais alargada sobre aqueles que estão vivos e os que estão mortos, bem como que a morte chegará a todos um dia:

A few light taps upon the pane made him turn the window. It had begun to snow again. He watched sleepily the flakes, silver and dark, falling obliquely against the lamplight. The time had come for him to set out on his journey westward. (…) I was falling, too, upon every part of the lonely churchyard on the hill were Michael Furey lay buried. It lay thickly drifted on the crooked crosses and headstones, on the spears of the little gate, on the barren thorns. His soul swooned slowly as he heard the snow falling faintly through the universe and faintly falling, like the descent of their last end, upon all the living and the dead.

No que respeita ao espelho propriamente dito em «The Dead», Joyce utiliza este elemento como forma de a personagem principal dar conta do reconhecimento da sua atitude irónica e invejosa para com o relato de Gretta. Verifica-se um sentimento de vergonha quando Gabriel toma consciência da sua atitude e sente-se ridículo quando capta um vislumbre de si mesmo no espelho do quarto de hotel:

A shameful consciousness of his own person assailed him. He saw himself as a ludicrous figure, acting as a penny boy for his aunts, a nervous well-meaning sentimentalist, orating to vulgarians and idealizing his own clownish lusts, the pitiable fatuous fellow he had caught a glimpse of in the mirror. Instinctively he turned his back more to the light lest she might see the shame that burned upon his forehead.

Do mesmo modo que Gabriel olha para si e para a situação que acaba de viver com Gretta através do reflexo do espelho, James Joyce pretende que o leitor olhe para o espelho do seu universo social para que entenda o que está errado bem como pretende que pense naquilo que o leitor gosta de ver quando se olha ao espelho.

Hidden Symptoms, por sua vez, é um romance de Deirdre Madden que, no final, explora a temática em questão. Através das últimas páginas do texto, o leitor compreende três funções adquiridas pelo espelho:

1. a função de reflectir o espaço em que as personagens Theresa e Robert se encontram;

2. a de reconhecimento físico da personagem;

3. o regresso à realidade.

No que respeita à primeira função acima referida, Robert observa a sala-de-estar de Theresa em várias perspectivas que lhe são permitidas ver devido à superfície curva do espelho:

On the wall behind her was a round mirror surrounded by a garland of leaves wrought from the black metal. Robert gazed thankfully past Theresa’s head into the glass, where he could see the whole room reflected, circular and small, distorted at the circumference because of the mirror’s convexity.

Assim, o espelho exerce a função simples para a qual o objecto em questão fora criado: reflectir.

Porém, está presente na obra o tema do auto-reconhecimento da personagem feminina. Ou, mais especificamente, a falta de auto-reconhecimento, uma vez que Theresa olha para o espelho pendurado na parede da sua sala e o seu reflexo a apanha de surpresa:

Then she caught sight of her reflection in the round mirror, and was startled. Who was that person? Could that pale, hunched, ugly little person be herself? She could scarcely believe how intimately she must know the sad hinterland of the red-eyed girl’s life, and she approached the mirror timidly, watching with fascination the way in which the image grew. Stopping before it, she was filled with a desire to touch the glass. (…)

Could there be anything more wearisome, she wondered, than to stand alone, alone, alone before a mirror? How long would it be, she wondered, until she could go beyond reflections? For how long would she have to continue claiming the face in the mirror as her own? When would there be an end to shadows cast upon glass?

Aqui, Theresa olha para si própria como se estivesse a observar um quadro, como se não estivesse a participar na ação propriamente dita: quando ela olha para si mesma através do reflexo no espelho, para esta personagem é como se estivesse a observar e a analisar um quadro.

No último momento da obra, Theresa não consegue reconhecer-se a si própria e apercebe-se de que nada poderá fazer para encontrar o assassino do irmão Francis ou para o trazer de volta. Theresa decide deixar o espelho e agir em relação à frieza da realidade da sua sala-de-estar: voltar a atear o fogo, pois sente frio:

Theresa turned her back upon the mirror, with its cold, circular, distorted room, and looked around the real parlour in which she was standing. She realized that she was very cold. Shivering, she crossed to the hearth, knelt down and tried to rekindle the dying fire.

O espelho passa agora a ter a função de a trazer de volta ao mundo real e concreto onde se encontra, fazendo com que Theresa afaste as dúvidas, a falta de auto-reconhecimento e a inutilidade de ação (no que respeita à morte do irmão).

Por conseguinte, através da análise das três obras – The Picture of Dorian Gray de Oscar Wilde, «The Dead» de James Joyce e Hidden Symptoms de Deirdre Madden –, verifica-se que ambas as temáticas se relacionam e se cruzam entre si. Tanto o tema do quadro como o tema do espelho, são transpostos para as personagens principais da obra respectiva e tomam dimensões distintas.

No caso da obra de Wilde, o quadro tem uma função moral no sentido em que, após a realização do desejo de Dorian Gray em manter-se belo e jovem enquanto o quadro envelhece e reflecte a sua corrupção, o final da personagem e do retrato apenas poderá ser o mesmo: a morte. Contudo, o espelho é o elemento que permite a comparação entre a juventude e a velhice, a beleza e o horrível; assim, entre a vida e a arte, a ética e a estética.

No conto «The Dead», Joyce utiliza o quadro como forma de representação de um momento que a personagem Gabriel pretende, não só deixar uma marca no espaço, como também deixá-la no tempo. Aqui, a arte é o elemento de conexão entre estes dois elementos: o espaço e o tempo. Contudo, o que leva Gabriel ao reconhecimento e à tomada de consciência; são a janela e o espelho no quarto de hotel, pois mantém as personagens sintonizadas com a situação que estão a viver e fazem-nas ter consciência de uma realidade comum a todos. Neste sentido, o objetivo de James Joyce ao escrever e publicar Dubliners é cumprido, visto que o leitor tem a mesma tomada de consciência que Gabriel e no mesmo momento em que ele a tem.

Por fim, no que respeita a Hidden Symptoms, o quadro é evocado por Robert como um recurso de tentativa de alienação à situação em que se encontra perante Theresa. O seu objetivo, embora inconsciente, ao recordar-se do quadro de Jan van Eyk é fazer com que parte do desconforto que sente desapareça. Sempre que esta personagem se encontra fora da sua zona de conforto utiliza a arte como forma de recuperar o seu bem-estar, seja ele físico ou emocional. Por sua vez, o espelho adquire três funções: reflectir o espaço em que Theresa se encontra em diferentes perspetivas, levantar dúvidas quando esta personagem não se reconhece a si própria e fazê-la ter consciência dessa falha sua, e, por fim, trazê-la de volta à realidade enquanto a faz agir em relação ao que tem apenas poder de ação.